quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Enforcado


           Suspenso no vazio e balança-se...lança-se. Não prisioneiro de si e de nenhum dos tempos que virão. Receia, badala, fraqueja – tomado de abandono da perseverança, da comodidade, do esperar, da co-esperança. À desenvolver-se espera, o pendurado, à espera.
Afastado das funções mundanas, pondo em cheque o seu vazio ou o momento que se impregna pela espera da exatidão. Da não-exatidão de se postar entre a verdade que prende as lacunas-peças. Dentre os fatos em que vive a vontade de agir livremente e conscientemente lhe foram arrancados; a vontade guiada pelo livre-arbítrio empedernido.
Do verbo que não enunciado se assenta banhado de teor duvidoso, errôneo e fragilizado. Que lambear ou titubiar não é saber pelo caminho percorrer, mas é o desejo que foge a garganta ‘de beijar face-tentação’
“ – Se és vítima de suas baldas, és vítima de si mesmo.”
Vive enrolado do movimento desmedido, do livro não interpretado, da incerteza frágil da criança. Balanço que oscila da dupla incerteza que há entre ficar e o desejo de atirar-se.

sábado, 17 de setembro de 2011

Força

“– Pelas pernas os braços não passam, tens o corpo e o controle, mas não os passos que forja.” Não vem da afabilidade tampouco do impulso brutal que maneja a circunstância vindoura, é do interior da força que se faz impávido o punho firme.
Partículas de resistência de leito, de maestria da essência persona, do valor de face, de energia que escorre pelas mãos, da mente que não trepida, do prazer que toca a alma.
Do vazio da mão aberta que não divago e do vago...é vago. Como o solo que dança sob cantigas que atraem e despede das forças dos espíritos filhos da natureza. Do homem revolto em casulo de energia que materializa barreiras entre os dois mundos.
Visto sob a ótica dos seres que se atraem e se repulsam entre pares, dos que perdem e que ganham, dos que transmitem e recebem.
Amiúde divulga o fluído, em canal, tão sutil em magnetismo, de magnetismo semelhante. Semelhante ao sopro que aviva corpos; do ponto que está ao meio que se liga ao órgão que mantém pulsos e faz correr o éter pelos trajetos tortuosos.
        

terça-feira, 26 de julho de 2011

Roda da fortuna

       Os que estão acima um dia cairão “– Plante e colha o grão dinamante.” Produto dos movimentos eternos, transmutações imutáveis de ando transcendente – de galgo mágico. Impulsionador das engrenagens, dos movimentos naturais, do roteiro cíclico. Interpolação do dia e noite. Da luva que toca o céu por cima dos ombros, e que sustenta o solo que firma os pés. Feitos da mecânica dos homens, de vida celeste, de algum lugar, do movimento que libida o gosto provocado pela vontade e pela omissão.
Não é roda. Não é instrumento, mas roca. Não se usa, mas trás pelo movimento o que tem no poço. A que aduzi vida e acalma a sede. Que gira, que desce o balde, que expõe à superfície o que espera o homem. O que tem no poço o homem bebe; e bebe a si mesmo, seu conteúdo, sua essência. Bebe a vontade que move a manivela, bebe a força de seus atos.

Eremita

         O guia. Lampião que guia a frente do caminho que ilumina, mostra o túnel de luz “Halo da luz longeva”. Luz da tomada de consciência, da descoberta, da informação. A consciência sempre liberta, o espírito alerta, a proteção, a premonição, o enxergar interior da alma. Mestre da iluminação, o condutor, o iniciador. Segura a lâmpada da verdade, doravante guia e brilha. Sabe o caminho “– Venha, lhe mostrarei onde seguir.” Do cajado serpentária, que domina as forças planetárias, de principado, de ressurreição, da terra ou do céu. Cajado de sustento de corpos – profético – que abre mares.
Sobrevive de solidão, senhor dos desertos; não um solitário lôbrego, o que trás a mensagem dos longes, o intérprete de oráculos – portador das visões. Revelações do vago - secas. Atufado de retraimento, de recolhimento, de vazio; do momento de reclusão para um novo renascimento.

Justiça

        A escolha que faz o homem “- Tome a decisão, tens a opção, veja a direção.” Sentido da vida.  O príncipe que governa com seu carro celeste, que orienta voluntariamente para a direita, para a vitória. Tem o caminho da luz, da vida; sobre a terra que a vida e a luz são eternas. Onde se sucedem a eterna alternância da noite com a morte – onde não é a força, nem os esforços, tampouco a certeza de vencer, de chegar ao fim, de ter êxito, que faz o mago que se transformar em príncipe forjar o triunfo essencial, que o fará avançar pela corda frouxa do destino acrobata, sem risco de cair pela esquerda: sem o equilíbrio. Faz justiça: Orienta para o caminho do futuro, com a perseverança que não se pode duvidar, nenhum instante, para alcançar a recompensa.
Não é a justiça dos homens, em seus indecifráveis enigmas, é a justiça da vida e da verdade, sem o toque dos valores que permeiam o mundo de caráter moral. Justa e arcaica, antiquaria, originária. O influxo no instinto da sobrevivência, da garra precisa, irresoluta que guia a razão. Afinada em si mesma, não vacila. Coordena, tão precisa, tudo o que dela vêm e que a ela retorna. Nada descarta; tudo se aproveita, se refaz, se molda.

terça-feira, 1 de março de 2011

Carruagem

        Adução do momento patente de empenho da virtude e profligação da batalha; esboroamento das estacas que se postam no caminho. Grande carruagem imperial; carência de visão da conquista daqueles por quem galga. Evocação do galardão da vitória, vindo do empenho árduo e em virtude dos préstimos próprios. Guia da direção do paraíso, ou da esquerda, da direção do inferno. Testemunho da vontade que conduz a carruagem: "- Decorrer o rumo fidedigno para vida, faz-se mais do que necessário."    

Enamorado

         Doutrinador da necessidade de abdicação dos fatores que condicionam às situações de vida irracional: " - Não deves escolher muito, porque quem muito escolhe,  dificilmente será escolhido: pelas pessoas, pelas situações, pelo destino". Missionário da essência " - Amarás e serás amado".
Arqueiro da flecha de Eros; arquiteto do encontro perante a cama de flores, propositor da união dos contrários. Longevo da conexão do pólo positivo com o negativo, do casamento do céu com a terra.