quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Feito

Principio? O que esteve antes jamais voltará à ordem. Pelo piso resvaladiço despencou em encontro ao infortúnio fulcral de seu ser. Soltas estarão células-partes que jamais se alinharão. Donde urgi ordens de donzelas líderes que faz ciclo girar, girar o inconsciente, girar em si, girar o todo, girar o mundo, girar-vida.  Labaredas cinza dançam o ar, olor-feitiço estarão a lançar, uma vez iniciado jamais terminará. Guirlandas flóridas ao topo da mente que tudo ver, o sangue matriz faz em tudo crer. Nos jardins-espaços veste-se em mundos ruídos a anciã que tece o que virá. Sabe o destino? A lã que o costura é ela que a tem. A leva de castas banham-se no rio de juras, ao próximo verão carregarão a promessa-criança.
 Rasgos em céu, tudo voga o clamor Dela. Os cifres sonoros já entoam o rito que no prelúnio se iniciará. Todos se curvam, a Anciã trouxe a lua, odes rugem fortes, êxtase toma corpos, suor, prazer, satisfação, malícia. Está feito. O que o foi forjado não se rompe. Pelo três vezes três, foi feito e assim será.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Giramundo


Difícil convivência estar no desiquilíbrio das emoções frágeis sustentadas em caules mal-resolvidos. Dentro dos freios que limitam o homem a decidir entre o que o lhe domina em coragem ou falta-lhe em verdade, sob o que pouco diz acerca de absolutas incertezas do ser. “Giramundo” em torno das "incircuntâncias" lineares que forja o viver prazeroso banhado no mais delicado óleo de sentimentos perdidos. Os ossos que uma vez...outrora, enterrados foram deixados, serão revelados em incuguências dilacerantes...destoantes. “─ Sabe o âmago? Foi-se, de tão perdido em si mesmo, foi-se!” Há inverdades em pensar sobre si, e estas os olhos alheios não pode mirar, o que há de ínfimo não se toca, apenas se sente em sintonia. Solidificar nas entranhas desapercebidas das indiferenças sociais, negadas aos fracos, pulsos que já não captam o que pode sentir. Do mesmo caso daqueles que beijam em face, mas não a têm. Entoantes descasos, soltos, parado no vago, perdido vagará em degraus soltos, desprendidos de absoluta incerteza. E não é o que irá romper os ramos que já se forma e agora se desfaz. As vigas das paredes-muros "insujeitas" que já não há de sustentar mais, prenome e sem-nome.

domingo, 17 de junho de 2012

Amargo, sem tato, no prato


Duque: ─ O que te incomoda?
Duquesa: ─ Perdão?
Duque: ─ Percebi que depois do jantar saiu cabisbaixa e sem muito que se importar.
Duquesa: ─ Não há o que me importar!
Duque: ─ Como?
Duquesa: ─ Já não suporto tais reuniões sociais, me cansa, me consome.
Duque: ─ E por quê?
Duquesa: ─ Não vê como me olham? Como me investigam? Como me invadem?
Duque: ─ Não, não notei.
Duquesa: ─ Não notou porque é só mais um deles, mais um do covil, faz parte da trupe.
Duque:  ─ Não estou entendendo, o que tenho? O que eles têm?
Duquesa: ─ Eles não têm! É isso que é o trágico.
Duque: ─ O que neles te incomoda?
Duquesa: ─ O jeito que me olham, parece que me comem viva, devoram meus sentimentos, me vampirizam a mente, roubam meu ar, aprisionam minha razão, estrangulam minha coragem, falecem meu tato, trancam a minha voz, vedam meus olhos, estupram meu cérebro...
Duque: Pare!
Duquesa: ─ Não suporto o cinismo desenfreado alojado em seus corpos, suas tripas banhadas a vinho de traição, seus sorrisos debochados de reluzente ouro amargo, suas falas desdenhosas com odor de comida de urubu...
Duque: ─ Já disse! Pare!
Duquesa: ─ Atormenta-me suas propostas pútridas tal como solo de pântano amaldiçoado, seus forçados convites à covas onde não há defunto,  suas modalidades de martírio arraigado, suas juras de amor aleivosas ....
Duque: ─ Cale-se!
Duquesa: ─ Seus planos em paralelos transigentes desajustes que nunca há de chegar, suas tolices trepidantes como a presa que enxerga seu fim, seus pensamentos furtivos que aleijam a quem desejar...
Duque: ─ Amanhã, na primeira hora do dia, serás enforcada!

Duquesa: ─ Como me incomoda seus juízos clandestinos em terras de sal, suas ações que faz pubar a mais fértil das plantações, seus prestígios acaçapados na pior das canastras em ilha erma...

Louco


Não foge, nunca está encurralado, dá meia-volta no ritmo que se faz as coisas. Promove a inversão dos pólos, retorna os passos, retrocede, resgata, puxa de volta o “portão-ponte” e cumpri sua penitência.Volta ao ponto de saída, regressa, mergulha de volta as origens, migra ao zero.  “─ A razão do final está no início” prediz o velho sábio necromante.  Não se despede, nunca está perdido, seus passos firmes sempre sabe o caminho a seguir. O mundo? Está sobre a suas costas, ele é quem conduz. Besta nenhuma lhe agarra os calcanhares, sua destreza nos passos dribla a própria morte.

Mundo

       Tudo em pulsos se faz, é vivo o que se pisa. Embrião que congemina, reconstrói e revitaliza. Alimento mais íntimo, primeira costa verde, energia para quadrúpedes. Da semente dos galhos que desce ao chão a semear o útero-terra, em alimentar-se de si mesmo, de seus frutos. A semente que se transforma em outra árvore. “─ Só é mundo se devorar a si mesmo, é o ciclo que permeia a vida e faz o curso das coisas mover-se certo, de modo ideal.” O coração-fruto não mais será estripado, é a donzela sem algemas, o marcador ─ vida e morte, morte e vida ─ em eterno ritmo cíclico. União elemental para o despertar da nova consciência, para se cumprir o que prediz as profecias, o que estava escrito nas velhas escrituras: “─ Conheces o mundo? Conheça-te a ti mesmo!”

terça-feira, 1 de maio de 2012

Julgamento


Luz ─ divina ser ─ sob o clarão em ofuscar os olhos dos homens, ou enlouquecer? Do rio que desce dos montes, em via dupla, distintas, é caminho dual, é a luz e as sombras. Pelo exterior e o interior. “─ Sabe o caminho para o julgamento? Logo ali, atrás do tronco, é o lugar de sua queda!” À deriva do que vem do julgo: separação das peças, conhecer em face o que és, da palavra dita em sintonia ao ‘saber o certo’.

Em tirar as vestes “─ Prepare-se para a queda, tire todo o seu artifício, mostre-se tal como és.” Para brilhar a luz interior do ser, em não ter vergonha do corpo nu, ora ser o que és. Clarear entre justiça e injustiça, verdadeiro e duvidoso [...] Tocar ao fundo a essência que provém à existência, caminhar ao medo e a esperança, beber o mundo interior, beber em si.

Sol

Do iluminar que expande pelo horizonte, que a cada passo dado acorda a natureza, dança e segue o caminho da voz que enuncia a chegada do novo dia. Depois do cantar em uníssono das aves matinais, que busca restaurar o que foi perdido outrora. Em desfazer bonança, alavancar corpos, libertar os gritos, cessar o silêncio de desejo noturno, que toca partes desfeitas. Livrar a obscuridade de imenso deserto ─ em um só golpe ─ fazer falar a loucura. Desacorrentar os bichos, regar o solo e plantas, dar boas-vindas ao Grande Astro Pai.
De vozes não vistas que atroam ao longe, que incitam aos mortais a mirar a aparição divina que se ergue aos Céus. Sob braços de cura que aliviará e erguerá os enfermos. “ ─ É o brilho da Roda dos Astros que arrebata o orgulho e a razão, abscindi o ego, auri a veda dos olhos, outrora posta ali encadeando vertigens de loucura.”

Mira em símbolos, é a Morgana e a Guinevere, a loucura e a razão, copulam e geri o saber dos Deuses. Saber não convém loucura, nem a olhos alheios. Anterior à candura, a pureza, a doce leveza do ser, ao próprio ato da criança.